Como Mensurar Resultados de Treinamentos Corporativos

10 de setembro de 2020
Por  Alice Oliveira

Já se sabe que as pessoas que formam uma organização têm um papel fundamental na geração de valor de uma empresa, contabilizando até 85% do valor da mesma no que se diz respeito a seus ativos intangíveis. Ciente disso, se você já investe no capital humano promovendo treinamentos corporativos especializados, custeando cursos e investindo em participação de eventos, por exemplo; mas não sabe como mensurar o resultado desses treinamentos, neste post mostraremos os indicadores mais eficazes para avaliar sucesso dos seus programas de capacitação. 

Uma pesquisa realizada por Bersin & Associates – empresa de consultoria e pesquisa focadas no aprendizado corporativo – estima que empresas do mundo inteiro investem mais de 200 bilhões de dólares a cada ano no T&D (treinamentos e desenvolvimento) de seus colaboradores. 

No Brasil, essa tendência só vem crescendo. Houve um aumento de 21% em 2017 no investimento anual por colaborador no país em relação ao ano anterior. Mais dados da pesquisa aponta que  77% das empresas utilizam o e-learning como metodologia de ensino, pela sua praticidade e eficiência.

Mesmo em tempos de crise, o relatório Panorama do Treinamento no Brasil afirma que “as empresas continuam investindo no desenvolvimento de equipes de alta performance com ênfase em seu progresso e na qualidade de seu trabalho.” 

Está claro que a indústria de treinamento corporativo está em alta e continua em crescimento devido a uma demanda do mercado por novas habilidades para se adaptar de forma ágil ao Novo Normal. 

Porém, o desafio se encontra na mensuração dos resultados desses treinamentos. Se não pode mensurar resultados de um projeto, não se pode melhorá-lo. Esta é a filosofia por trás do modelo de mensuração de resultados que iremos exemplificar adiante.

 

Por que mensurar resultados do programa de capacitação?

 

Qualquer planejamento de projetos em uma empresa é baseado em metas específicas e na avaliação de resultados a fim de garantir que os objetivos sejam atingidos e ter certeza que o treinamento contribuiu para o crescimento da empresa.

Sabendo que o desenvolvimento dos colaboradores é diretamente proporcional ao crescimento da empresa, o desafio está em demonstrar os resultados tangíveis e intangíveis do investimento na capacitação de pessoas.

 

O setor de RH 4.0 de uma organização  entende a importância do desenvolvimento constante das suas pessoas, e seu papel é mostrar que programas de T&D devem estar inclusos no planejamento de investimentos estratégicos da organização.

 

Porém, em períodos de crise e budget apertado, os executivos financeiros questionam se os investimentos em treinamento realmente valem a pena. 

Uma das principais dores do setor de T&D de uma empresa é o fato de não terem transparência quanto aos processos, metodologias usadas e até mesmo ao progresso do aluno. Isso faz com que a empresa não consiga mensurar os resultados do seu programa de capacitação em idiomas, por exemplo; tornando-se difícil mensurar o ROI, e consequentemente mitigando futuros investimentos do tipo devido à ineficácia de experiências anteriores. 

Além disso, é essencial na gestão do conhecimento conhecer o comportamento de seus colaboradores para entender como criar uma experiência que vá de encontro com as necessidades, motivações e desejos daquele usuário final; obtendo um maior custo benefício sobre o investimento e aumentando as chances de sucesso do programa. 

 

Como mensurar resultados

 

Entenda alguns indicadores de resultados de um programa de treinamento corporativo:

 

Taxa de adesão

 

Esta é uma etapa essencial para avaliar o interesse do público-alvo pelo curso em oferta, e consequentemente a  viabilidade ou não do investimento nesse treinamento. A taxa pode ser calculada pela porcentagem do total de colaboradores da organização em relação às pessoas interessadas. 

Entretanto, esta informação não é uma boa indicação para avaliar a assimilação do conteúdo do curso. Continue lendo para descobrir quais são essas métricas. 

 

Churn ou Taxa de abandono

 

A avaliação não se limita apenas ao pré e pós do treinamento. É importante observar ao a taxa de pessoas que permaneceram no curso e o concluíram com sucesso para entender se houve gaps em alguma etapa do processo.

Algumas causas comuns de evasão são:

  • o fato dos alunos não se adaptarem ao conteúdo e metodologia do curso; 
  • o nível do conteúdo não ter sido condizente com o nível do aluno; 
  • falta de qualidade do treinamento; 
  • falta de organização e disciplina por parte dos próprios alunos.

 

Algumas formas de mitigar o abandono ao curso é em primeiro lugar fazendo uma auditoria da qualidade do treinamento e entendendo sua metodologia para checar o fit com a cultura organizacional e hábitos do usuário final, que são os colaboradores. 

Além disso, práticas de endomarketing que aumentam o engajamento são um dos grandes fatores de sucesso dos treinamentos corporativos.

 

Reação ou Pesquisas de Satisfação

 

Nesta etapa, o próprio aluno é quem avalia a qualidade do curso e aplicabilidade na sua rotina através de uma pesquisa de satisfação. 

Este indicador é ideal para dar maior embasamento no planejamento de treinamentos corporativos futuros em relação ao tipo de conteúdo, funcionalidades, etc; e não para medir a eficiência do treinamento em si.

Isso porque uma reação positiva ao treinamento não está diretamente relacionada à assimilação do conteúdo e aproveitamento do curso pelas pessoas. 

Além disso, alguns muitos funcionários podem se sentir constrangidos ao apontar falhas em um curso disponibilizado pela empresa. Portanto, é preciso haver transparência no processo e confiabilidade total, e uma cultura de feedback implementada na cultura organizacional. 

 

Avaliação por média

 

Esta métrica já é conhecida por ser uma ferramenta tradicional usada desde a época da escola para medir o progresso do aluno. Consiste basicamente em uma avaliação em que muitas vezes é exigido uma média mínima para ser aprovado e receber o certificado.

É o segundo indicador de treinamento mais aplicado nas empresas brasileiras, sendo usada em 28% dos treinamentos. 

Uma dica para avaliar a eficácia desse método de maneira integrada é realizar um teste antes e outro depois do treinamento, como por exemplo um teste de nível de idiomas e um teste de proficiência ao fim do curso para medir a evolução do conhecimento dos colaboradores ao longo do tempo. 

 

Aproveitamento Individual

 

Essa métrica é usada em 12% dos projetos, de acordo com a pesquisa sobre treinamentos corporativos no país, e seu objetivo é saber se o funcionário aplicou o conhecimento e como ele fez isso.

Os gestores avaliam o desenvolvimento dos colaboradores após o treinamento observando se estes conquistaram ou aprenderam novas competências e habilidades, como soft e hard skills por exemplo; ou até mesmo avançaram na carreira, recebendo uma promoção ou ocupando uma nova posição, por exemplo. 

 

Comportamento

 

Avaliar o comportamento do colaborador mostra o próprio desenvolvimento pessoal da pessoa e sua aquisição de habilidades sócio comportamentais, ou soft skills. Um exemplo disso é quando os gestores acompanham o progresso de um projeto internacional por uma equipe que está imersa em um programa de capacitação em idiomas e observa uma melhora no comportamento, hábitos e mindset da equipe.

 

Multiplicadores internos

 

Esta é uma métrica interessante pois, similar ao Aproveitamento Individual, ela mede os colaboradores tanto em equipe quanto seu potencial individual.

Essa ferramenta avalia a evolução na taxa de multiplicadores na empresa. Na prática, isso significa que os profissionais estavam tão engajados e interessados no treinamento que tinham motivação por conta própria de compartilhar com os colegas seus aprendizados e insights, disseminando o social learning dentro da empresa e melhorando o engajamento entre equipes.

 

ROI, ou Retorno sobre o Investimento

 

Essencialmente, esta taxa é medida ao dividir os resultados obtidos com o treinamento pelo custo do treinamento. Assim, a organização poderá avaliar a viabilidade financeira do seu investimento. 

Entretanto, enquanto essa métrica está presente em todos os projetos e planejamentos da organização; apenas 2% dos gestores usam esse recurso para medir a eficácia dos programas corporativos em que investiram. 

Uma das principais causas para isso é o fato que medir o ROI sobre um treinamento pode ser um processo complexo, visto que alguns cursos resultam em fatores intangíveis. Caso o treinamento faça parte de uma política de benefícios da empresa, por exemplo, o ROI englobaria a taxa retenção de talentos e fortalecimento da cultura organizacional. 

Esse processo pode ser facilitado por meio de dashboards de progresso e reports financeiros unificados nos programas de treinamento corporativo do IFESP como uma solução para otimizar o tempo do setor do RH. 

 

Boas práticas de endomarketing

 

Por fim, é importante também enfatizar as quick wins ao longo do caminho, valorizando o esforço dos colaboradores nos treinamentos corporativos. Essa estratégia não é apenas uma forma de motivá-los, mas também de engajá-los e de fortalecer o clima organizacional. Isso incentiva a disseminação da prática e até facilita a aquisição de recursos para outros programas de T&D. 

Além disso, uma boa estratégia é dar publicidade aos resultados alcançados com cases de sucesso. Isso pode ser divulgado internamente e até mesmo ser usado como estratégia de branding e marketing para a empresa, posicionando-se no mercado como uma organização que se capacita para atender às demandas do mercado em evolução. 

 

Solução integrada

 

Entender a importância da capacitação profissional dos colaboradores é o primeiro passo para se manter relevante diante das mudanças acontecendo no mundo. 

O segundo passo é escolher o programa de capacitação ideal que atenda os objetivos da empresa e as necessidades dos colaboradores.

Em seguida, acompanhar e mensurar os resultados desses treinamentos é fundamental para maximizar o ROI e o potencial de cada talento; fomentando um ambiente propício ao crescimento e alinhado aos hábitos, desejos e motivações dos colaboradores.

Para isso, essas estratégias de mensuração de resultados serão cruciais na avaliação de treinamentos corporativos. 

Porém, com tantos elementos envolvidos na auditoria, implementar táticas de avaliação é uma tarefa que requer tempo e esforço. Isso implica em mais despesas no cálculo do ROI, consequentemente, perda da eficácia do treinamento em primeiro lugar. 

Investir em uma solução integrada que engloba essas métricas e mensuração do sucesso em apenas uma dashboard fácil de usar é uma solução inteligente para otimizar os processos de T&D.

 

Desta forma, a escolha de treinamentos corporativos se torna mais fácil, o retorno sobre investimento é transparente, e a empresa possa focar em investir seus recursos no desenvolvimento constante de suas pessoas para continuar expandindo. 

Descubra as soluções corporativos em idiomas do IFESP.

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