IFESP conversa com Guilherme Di Ciero Fernandes executivo da Alexander Hughes no primeiro bate papo da série: O Mundo é Todo Seu!

8 de dezembro de 2020
Por  Alexandrine Brami

A Importância do inglês no mercado de trabalho para executivos.

 

Em seu propósito de tornar acessível e difundir o conhecimento e estudo em línguas, por acreditar ser um dos pilares fundamentais na formação profissional e social de seus alunos e da sociedade como um todo, o IFESP lança a série O Mundo é Todo Seu!. 

Com convidados internacionais, executivos brasileiros que trabalham em multinacionais e ex-alunos, a roda de conversa virtual, visa ampliar as relações de contato dos alunos, debater as mudanças e preparação para o mercado de trabalho internacional, comportamento, interações digitais e tecnológicas e, é claro, a importância do domínio de outros idiomas em um mercado global de oportunidades.

O primeiro entrevistado desse giro de conversas é Guilherme Di Ciero Fernandes, profissional com de mais de 25 anos de experiência internacional na América do Sul e Europa em cargos executivos de Engenharia e Finanças para grandes empresas dos setores automotivo e industrial, como General Motors, Linde Gases, Fresenius Medical, Pitney Bowes. Atualmente lidera as operações da Alexander Hugues no Brasil.

Em um bate papo pra lá de descontraído, Guilherme nos contou sobre sua trajetória profissional, acessibilidade ao estudo bilíngue, atuação da juventude em cargos de liderança e suas interações na era digital, netweaving e networking, a presença de brasileiros no mercado internacional e rede de relacionamentos. 

 

O sonho de trabalhar na General Motors

O executivo apaixonado por carros antigos que ainda criança na companhia da mãe e das três irmãs foi morar com o pai expatriado nos Estados Unidos, conta que aprendeu o inglês na escola e que a fluência no idioma foi crucial para a sua contração na empresa que sempre sonhou trabalhar, a General Motors: 

Eu sempre amei carros e engenharia mecânica porquê eu queria trabalhar na fábrica do Corvete que era meu sonho de infância desde os 9 anos. Minha carreira profissional se iniciou justamente pelo conhecimento em inglês. 

Mandei meu currículo e fui selecionado em uma vaga de estágio para trabalhar com o comitê executivo da GM, por falar inglês. Naquela época poucos executivos falavam e mesmo os mais graduados brasileiros, não falavam, então eu fui chamado para trabalhar lá, mais para uma função de tradutor interprete do que para a engenharia propriamente dito. 

Lá eu passei por vários departamentos e divisões, marketing, vendas, exportação, peças e reposição, foi uma trajetória incrível. Depois de um tempo eu vi que o setor automobilístico é politizado demais. Então eu parti para novos ares, engenheiro tem muita afinidade com finanças, aí eu passei para o setor de finanças e posteriormente químico, farmacêutico e controller em diferentes empresas

 

A ausência e necessidade do inglês em cargos executivos

A longo da minha carreira eu vejo que o inglês não é suficientemente difundido, falado e a vantagem de ser fluente é imprescindível. Eu comecei em 1996 e nos últimos 25 não mudou muita coisa. 

Existem muitos executivos em cargos altos que não falam bem inglês e que precisariam ter uma fluência para que sejam melhor compreendidos e até se expressarem melhor. Já vi casos do presidente de uma empresa no exterior fazendo determinada pergunta para um executivo brasileiro em que a resposta tinha que ser não e ele falava sim, justamente por não ter entendido a pergunta. 

Então é algo de extrema importância mesmo que para as empresas nacionais, porque eventualmente toda empresa nacional tem o desejo de expansão e de se relacionar com clientes-parceiros internacionais. Então o inglês é importante para qualquer cargo, seja para um executivo ou um iniciante de carreira

 

A migração de carreira para liderar as operações da Alexander Hugues no Brasil

Atualmente Guilherme é CEO e Managing Partner da representação da Alexander Hugues no Brasil, consultoria europeia com sede em Paris especializada na busca de executivos: 

Ao longo da minha carreira eu conheci um recrutador que inclusive foi quem me recrutou para a Fresenius, o Sr. Alberto Terlércio, um Belga que estava no Brasil há 40 anos. E além dele me recrutar nós nos tornamos muito amigos, com isso, 4 anos atrás, o Sr. Alberto fechou a empresa dele, ele estava cansado já com 80 anos e me deu de presente. Falou…: Guilherme eu não quero mais! Estou indo para Portugal. Os franceses da Alexander Hugues querem abrir um escritório próprio no Brasil, antes ele só representava. 

Nesse momento eu falei: Nossa, Seu Alberto! Eu não sou uma pessoa de gente, eu não sei lidar com isso, não sei ser recrutador. Ele falou: Eu te conheço há 10 anos, você sabe, você vai adorar, você vai ir bem, você já me ajudou em várias buscas e eu tenho certeza você vai gostar disso. E sinceramente, eu não saio mais daqui. Eu só saio daqui no caixão! É um negócio muito enriquecedor, conhecer os profissionais, poder ajudar, poder aprender todos os dias, conhecer gente nova, conhecer perfis novos. Aquele orgulho de colocar o executivo que você sabia que ia dar certo na empresa e o presidente te ligar e falar que foi a decisão certa e elogiar. Isso é muito gratificante.

 

De guia turístico na Disney para o mundo!

A experiência que eu tenho desde a época que fui guia de excursão na Disney, onde eu comecei lidar com gente, justamente pelo fato de saber falar inglês em que eu levava uma turma da Dimensão Turismo todo mês de Julho para ver o Mickey, eu lhe dava com situações que eu nunca imaginei que pudessem ser tão úteis para a minha carreira. 

Eu conhecia os bastidores da Disney mais do que os brinquedos. Isso tudo me deu uma bagagem que eu não havia percebido até eu entrar nessa função na Alexander Hugues. Então saber lidar com gente, com situações adversas, trazer uma solução da cartola de imediato e hoje eu prático isso todos os dias é um prazer enorme. 

 

A acessibilidade ao estudo de línguas no Brasil e o investimento das empresas na capacitação de seus colaboradores

Eu vejo como mais acessível a cada dia, mas ainda não em um ponto de absorção completo. O inglês que se aprende na escola não é suficiente e precisa ter um aprimoramento, para isso existem diversas plataformas excelentes e gratuitas e só ter força de vontade. 

Para um aprimoramento mais aprofundado e uma vivencia maior a minha sugestão é sempre um intercâmbio, acredito que é o equivalente a um curso de inglês, o valor que se paga e o que se aprende em um curso completo 6, 7 anos, é o valor e o que se aprende em 1 ano de intercâmbio.

Investir em línguas é algo importante e as empresas estão se dando cada vez mais conta disso. O que precisa é o colaborador entender que ele precisa de mais fluência e treinar.

 

A juventude na busca de capacitação para o mercado de trabalho e suas interações sociais e digitais

Uma parcela da juventude está mais ociosa, não tem buscado uma preparação para o mercado de trabalho. O jovem é imediatista por natureza. É necessário o apoio da família, os pais precisam perceber que existem conhecimentos que são importantes e línguas é um deles. Não adianta só ter o inglês na escola, tem que complementar e fomentar a prática com outras pessoas. Isso continua sendo uma vantagem para qualquer emprego.

O relacionamento é essencial para o crescimento na empresa, senão você pode até ficar em funções operacionais de alto nível, mas não vai ter um futuro muito certo se não souber interagir com pessoas. 

Nós vivemos na ascensão digital, mas as interações humanas são muito importantes, então ter conhecimento das ferramentas, de programação, do que está sendo desenvolvido, participar das incubadoras startups, é importante na função digital mas as interações humanas são também de extrema importância.  Eu vou comprar e vender de alguém para alguém. Na empresa eu sou sempre um cliente ou fornecedor de alguém e não importa quantos sistemas existam no meio do caminho, vai sempre existir uma pessoa precisando de algo e a necessidade de alguém para fornecer aquela solução. 

O digital desempenha um papel importantíssimo, nos traz dados e informações em velocidade e quantidade nunca antes imaginadas e isso, inclusive, para a tomada de decisões. Mas a intuição ainda faz parte da tomada de decisões e as relações humanas são essenciais. 

A relação da liderança jovem em altos cargos com profissionais experientes 

O jovem tem um anseio por posições hierárquicas mais altas do que os profissionais experientes e isso pode levar a uma redução dos salários. Hoje nós temos jovens em posições altas ganhando menos do que executivos experientes. Isso tem feito com que a fidelidade com a empresa seja muito menor, eles trocam de forma mais imediata e frequente de oportunidades e com isso eles não ganham a experiência e a resiliência necessária. Os executivos mais maduros foram preteridos ao desligamento nos últimos anos basicamente por questões de salário. Como nós vinhamos atravessando uma crise consideravelmente forte, os salários dos bons executivos se tornaram muito altos e as empresas não tinham mais condições de pagar. Então promoveram jovens as cadeiras executivas mas ao longo do tempo percebeu-se que as relações emocionais, a inteligência emocional desses profissionais não estava bem desenvolvida ainda. Onde não souberam lidar com situações as quais executivos mais carimbados tiravam de letra.

Eu vejo que no mercado atual houve uma readequação dos salários, onde a volta de executivos experientes para cargos altos tem sido uma constante. Eu tenho colocado executivos com mais de 60 anos em várias posições de empresas boas. Ao mesmo tempo os jovens perceberam que precisam de um coach. Que precisam de uma liderança que vá ensina-los corretamente a alçar seus objetivos. Então o relacionamento entre lideranças jovens e experientes tem sido espetacular dos últimos dois anos para cá. 

Houve essa readequação, as empresas preferem esses profissionais com mais tempo de carreira por entenderem que eles têm mais experiência para agregar e controlar. Esses executivos vêm se modernizando, estão sabendo lidar melhor com pessoas a distância, com equipes e   tecnologia, eles têm se antenado. E os profissionais jovens estão gostando desse estilo de liderança-coach, pois contribui para que eles posam ocupar posições altas com mais tranquilidade e autoconfiança.

 

O profissional brasileiro no mercado internacional

A presença do brasileiro no mercado internacional e muito ativa, tem muitos bons brasileiros fora do país, se dando muito bem. É necessário sempre tomar cuidado com as questões pessoais, o brasileiro por natureza é muito afetivo e lá fora alguns países são mais reservados em relação a isso. Por outro lado para o brasileiro é fácil se estabelecer em outra realidade profissional, o nosso dia é muito complicado comparado ao de outros países. Tirando a questão de domínio em línguas que é primordial para o mercado internacional, as burocracias, indecisões políticas, econômicas e sociais adversas, tornam o brasileiro um profissional extremamente flexível e preparado para diferentes situações. 

O estilo de gestão brasileiro é diferenciado devido a sua realidade e isso fomenta a criatividade e um profissional que não segue o seu job description. Em qualquer lugar do mundo que ele estiver inserido, diferente dos profissionais de outras nacionalidades, se for solicitado a um brasileiro algo que não esteja dentro de suas atribuições ele vai buscar entender e ajudar, mesmo que isso saia da sua zona de atuação. Então o brasileiro aprende ir além das suas competências. Nós temos um estilo de conhecimento e de gestão mais completo e mais flexível em relação aos de outros países. 

A importância da rede de relacionamento

Nossa rede de relacionamentos pode ser facilmente expandida independente da pandemia. No contexto atual ficou ainda mais fácil porque as pessoas estão mais disponíveis, estão em home e em interação por vídeo. Uma dica muito importante para alavancar essa rede de relações é imaginar que nós não somos a última bolacha do pacote, então gratuitamente ninguém tem interesse em nos conhecer mas todos gostam de falar sobre si, todos gostam de mostrar um pouco da sua experiência, da sua capacidade e de contar sua história. O storyteller é importante! Então antes de querer nos apresentar, primeiro conhecer a outra pessoa. Eu vi o seu perfil aqui no linkedin, que trajetória espetacular! Vamos tomar um café? Me falar um pouco da sua trajetória. Me dá uns conselhos? Então todo mundo tem tempo de conversar com alguém e falar um pouco da sua vida. O linkedin agora mais em alta do que nunca é uma vantagem que nós temos. Nele, diferentemente de outras redes sociais, a maior parte dos executivos fazem questão de cuidar da sua página. Então a interação é direta com eles. O linkedin é minha ferramenta de trabalho eu uso ele todos os dias, seja para me comunicar com executivos, receber ou enviar convites de reunião. O linkedin é a vitrine de todo profissional. 

Um adepto do Netweaving

O networking eu acho que se tornou um termo até que pejorativo, porque ele deixou de ter a função altruísta e passou a ter um interesse estritamente comercial. Já o netweaving é realmente mais altruísta e visa o bem comum, sem a contrapartida de um retorno e nisso quando a gente não tem a expectativa de um retorno, quando ele vem, a sensação é muito melhor do que aquele que você dá uma mão e quer outra em troca. O netweaving me proporciona poder ajudar, ser reconhecido por ter ajudado, ter uma rede de amigos e não de contatos e fazer a roda girar. Eu acredito que nós temos o dever de tornar nosso país melhor e isso por der ser possibilitado por meio da nossa rede, então vamos indicar gente, conversar com clientes, fornecedores, consultores, como é possível alavancar o crescimento das empresas, como melhorar o retorno.

Obviamente eu tenho o meu viés financeiro como executivo financeiro, mas hoje nos meus relacionamentos eu imagino:  Como essa empresa pode crescer? Como esse profissional pode crescer? Como ele pode agregar para uma empresa nova? Como ele pode agregar para a vida dele? Como a experiência dele pode ser utilizada para ajudar outras pessoas? Então nós vamos somando uma rede muito saudável onde o simples fato de poder ajudar o outro, retorna eventualmente de uma forma muito mais agradável do que nós esperávamos. 

 

O match com o propósito do IFESP

O IFESP eu conheço há pouco tempo mas foi amor à primeira vista! Desde o dia que conheci a Alexandrine, e ela me mostrou a proposta de ensino, como é dada a aula e as oportunidades não só de falar outro idioma mas de também discutir temas aleatórios, comuns a todos e que promovem o crescimento pessoal e profissional, eu achei espetacular.

O idioma foi parte imprescindível da minha carreira desde o meu primeiro emprego até hoje. Eu sempre interagi com o exterior e a fluência na língua me depositou a confiança necessária pelas outras partes. Então a fluência no idioma nos traz uma credibilidade muito maior. Saber se comunicar e entender os nuances de cada cultura é extremamente importante e crucial par ao desenvolvimento de um bom executivo. 

Newsletter

Inscreva-se para receber conteúdos exclusivos.