Capacitação Pessoal e o Mercado de Trabalho do Futuro

15 de junho de 2020
Por  Alice Oliveira

Quanto mais o antigo modelo de trabalho vai sendo reestruturado e dando espaço a novas dinâmicas sociais e profissionais, mais percebemos que o que entendíamos como trabalho está mudando. Em relação à capacitação pessoal, muitas pessoas ainda esperam que a vida volte ao “normal” após o período de confinamento, e mantém-se repetindo os mesmos hábitos e atitudes. 

Essas vão precisar mudar o mindset, pois logo perceberão que o “normal” já não existe mais. Estar antenado às mudanças que estão acontecendo agora e que irão nortear o futuro do mercado de trabalho após a pandemia é essencial para se colocar na liderança dessa transformação, ocupando o lugar de agente transformador desta nova forma de usar seus talentos dentro das organizações.

Essa aceleração das tendências futuras do mercado de trabalho ganhou ainda mais força devido à necessidade urgente de se adequar ao “novo normal”; o que abriu espaço para o aparecimento das profissões do amanhã. 

Embora a crise tenha atingido milhares de pessoas desempregadas, pesquisadores vêem um aumento expressivo de oportunidades de trabalho remoto para profissionais mais qualificados, principalmente nas grandes capitais. 

Os setores mais em alta serão nas áreas de tecnologia, marketing, cuidado de pessoas, engenharia, etc.

O futuro do trabalho é agora

Estima-se que 50% das atuais atividades de trabalho podem ser automatizáveis. Então há de se entender o receio em relação à revolução digital que ameaça milhões de empregos e também traz consequências quando esta adaptação é feita sem estrutura, como o que aconteceu, por exemplo, com as escolas da rede pública durante a quarentena. 

Veremos neste post baseado em entrevistas de experts no assunto de recolocação profissional e recrutamento de talentos as principais tendências de como será o mercado de trabalho pós pandemia e o papel crucial da capacitação pessoal nesta revolução nas carreiras. 

Pelo contrário do que é temido por muitos, a automação, na verdade, mudará muito mais a natureza do trabalho do que dispensará os trabalhadores; de acordo com o report do Fórum Mundial da Economia de 2020.

Ainda que as habilidades tecnológicas continuarão a dominar os trabalhos de amanhã; as profissões que surgem refletem principalmente a importância da interação e do impacto humano na nova economia.

Isso significará que as pessoas passarão a ocupar cada vez mais as atividades que realmente requerem habilidades humanas, como criatividade, pensamento crítico, persuasão e negociação. 

Além da crescente demanda nas áreas de matemática, computação e análise de dados; os setores que estarão em evidência neste novo modelo serão a assistência à saúde e cuidado, marketing, vendas, produção de conteúdo, e People & Culture. 

O futuro do mercado de trabalho é controverso

É importante observar que, embora a automação impacte 50% dos trabalhos, não se espera que elimine mais de 5%. Isso porque a tendência será que os funcionários trabalharão junto com as máquinas, ao invés de serem substituídos por elas. 

Esse fenômenos é chamado de cobot”: o trabalho colaborativo de humanos com robôs. O futurista britânico Ian Pearson prevê que o foco vai sair de funções de tarefas repetitivas e se concentrar em habilidades emocionais e sociais. Ele explica que as máquinas ou o uso de IA farão as partes mais monótonas da função, enquanto o humano irá supervisioná-las ou focar em tarefas que fazem a diferença em seu trabalho. 

Para tanto, estes funcionários precisarão aprender novas habilidades. Caso contrário, isso pode acarretar no futuro um desequilíbrio entre mão de obra e oportunidades de trabalho.

Este conceito é confirmado pela especialista em desenvolvimento humano, Susanne Anjos Andrade, que escreveu, entre outros livros,  “O Segredo do Sucesso É Ser Humano”. Ela diz que a chave para vencer a crise será em se reinventar e investir em capacitação; principalmente em soft-skills que, em sua opinião, são essenciais para enfrentar qualquer tipo de desafio: empatia, colaboração, flexibilidade e inteligência emocional. 

Por isso, aprender a se comunicar claramente e com todos, expressar ideias e dialogar entre equipes será, mais do que nunca, essencial para levar adiante negócios. 

Entretanto, a pesquisa do Fórum Mundial de Economia mostra que apenas 15% das empresas investem no T&D de seus funcionários

Podemos entender o porquê deste fato, já que o mercado de learning, treinamento e desenvolvimento possui gargalos que inibem o ROI.

Por outro lado, hoje há modelos eficientes e conectados às demandas do RH, trabalhando em sinergia com este setor para fomentar o aperfeiçoamento e a capacitação pessoal dos talentos da empresa.

Esses trabalhos futuros apresentam uma oportunidade de capacitação e a necessidade de um plano de ação para suprir as demandas do mercado de amanhã no agora.  

Os trabalhos de amanhã e a importância da capacitação pessoal

Os empregos do futuro devem crescer 51% até 2020, e projeta-se que eles criem por volta de 6 milhões de oportunidades de emprego em todo o mundo. 

Se você busca uma recolocação profissional no momento, o foco está nas empresas que já demonstravam crescimento no mercado, e que foi acelerado devido à quarentena. Essas são em áreas de telemedicina, seguradora, EAD, streaming, e-commerce, e as que oferecem ferramentas de trabalho remoto. Muitas tiveram que contratar novos talentos com urgência durante o ápice da crise sanitária, entre Março e Abril. 

Em meio a demissões em massa acontecendo e milhares de profissionais no mercado de trabalho cada vez mais competitivo devido à crise, uma skill que destaca o CV é a  competência em idiomas. 

A relevância pode ser sentida no bolso: para o inglês, por exemplo, a diferença salarial entre um profissional que fala a língua fluentemente em relação a outro que tem apenas o conhecimento básico é até 61% maior, de acordo com pesquisa da Catho

Como apenas 5% da população brasileira fala idiomas fluentemente, as empresas aumentam significativamente a remuneração oferecida para atrair profissionais com esta habilidade.

Isso porque quem estuda idiomas pode ajudar a organização em outras funções, promovendo seu crescimento ao trazer novas ideias e visões de fora, interagindo com pessoas de outros países e intermediando logísticas e contratos internacionais. 

Idem para empresas locais, pois o aprendizado contínuo e troca de ideias e processos é essencial para a evolução de qualquer organização; além da tendência a cooperação internacional que permeará pós pandemia.

Entretanto, muitas organizações modernas já consideram o inglês como um requisito básico para alguns cargos. Portanto, ter o diferencial de outro idioma é essencial para se destacar; e dependendo da sua área de atuação, passa a ser obrigatório. 

Ainda que este pareça um enorme desafio a ser conquistado devido às notícias sensacionalistas e aos números assustadores, situações de crise também levam à oportunidades.  

O ser humano, quando desafiado, tende a inovar, procurar soluções criativas. Esta é uma característica inerente ao homem, que o inspirou a criar as maiores invenções da história.Mais do que nunca, agir com senso de urgência porém estrategicamente, investindo na capacitação pessoal e propondo soluções inovadoras, serão essenciais para ter sucesso nessa nova dinâmica do mundo corporativo.

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