Como Cuidar de Talentos Mesmo com o Budget Apertado

7 de julho de 2020
Por  Alice Oliveira

Em tempos de recesso, muitas pessoas podem se tornar míopes e perder a visão de longo alcance, e acabam tomando medidas drásticas de contenção a qualquer custo. Entretanto, um período de crescimento econômico pós pandemia está por vir, como explicamos neste artigo sobre as lições de uma crise econômica. Os líderes e gestores de pessoas mais bem sucedidos serão aqueles que olharem para a organização de forma holística. Mais do que nunca, é fundamental analisar tanto o quadro de finanças quanto às necessidades das pessoas que compõem a organização.

Já mencionamos  os melhores talentos nascem a partir de situações de extremo desafio. Ainda assim, as pessoas precisam se sentir valorizadas para entregarem resultados ainda melhores. Por isso, a política de benefícios e estratégias de nutrição e retenção de talentos deve estar na pauta de reuniões em C-level tanto quanto planilhas financeiras. 

Veremos neste post algumas táticas para cuidar de talentos mesmo com o budget apertado levando em consideração as seguintes questões:

  • As skills que serão necessárias para continuar operando, e principalmente evoluindo em um momento que pede inovação, criatividade e agilidade
  • Quais serão as demandas futuras aceleradas pela pandemia, e como os talentos podem ajudar a organização a se posicionar-se como soluções para atender essas necessidades

O segredo

Entretanto, engana-se quem pensa ser justificável cortar benefícios dos colaboradores devido ao corte de gastos para resguardar o caixa. Claramente, os investimentos daqui em diante serão os mais sensatos e essenciais possíveis. É isso que as pesquisas internacionais constatam analisando empresas do mundo todo.

Uma pesquisa realizada por WillisTowersWatson em Abril de 2020 com 635 empresas da LATAM, cujo objetivo era avaliar o impacto da pandemia em relação às estratégias organizacionais, de recompensas, de gestão de talentos, novas formas de trabalho e aspectos trabalhistas; constatou que quase um terço congelou salários de seus colaboradores. 

Dois terços das organizações congelaram ou postergaram novas contratações, e 36% planejava ou considerava realizar demissões. 

Entretanto, pesquisadores da Harvard Business School analisaram 4.700 empresas durante três recessões econômicas, e descobriram o segredo de sucesso de 9% das empresas avaliadas que saíram da crise muito melhor do que entraram graças à sua visão de futuro e bons investimentos. 

No estudo, perceberam que tanto empresas que fizeram cortes agressivos quanto que apostaram em grandes investimentos não tinham chances tão altas de recuperação. O segredo seria um equilíbrio entre investimentos estratégicos e redução seletiva de custos.

Ou seja, não é um momento apenas de cortes ou congelamento de vagas, mas uma oportunidade para investir em profissionais e competências que ajudem a empresa a crescer no período de retomada da economia.

A seguir, mais motivos pelo qual nutrir talentos será primordial para continuar avançando e prosperando diante da crise, e como fazer isso com o budget apertado.

Flexibilização do trabalho remoto, facilitação de contratações internacionais e mobilidade entre sedes de outros países

Em relação aos principais desafios do RH na expansão internacional dos negócios, a pesquisa da ADP e do The Economist Intelligence Unit para a revista EXAME constatou que antes da pandemia, 66% das organizações que necessitavam de habilidades especializadas já procuravam profissionais além das fronteiras de seu país de origem.

Não é à toa que crescem oportunidades de conquistar vagas em multinacionais para quem possui proficiência no idioma francês, nem que profissionais que falam fluentemente inglês ganham 61% mais que aqueles que falam apenas o básico da língua. 

É redundante salientar a importância do conhecimento em idiomas neste sentido. Hoje em dia, em que reports de áreas específicas são lançados pelas melhores publicações internacionais, e empresas do mundo todo falam a língua dos negócios, falar um idioma com proficiência em todas as competências é indispensável para ter empregabilidade e conquistar uma sonhada vaga em uma multinacional, ou até mesmo ir direto para seu país dos sonhos por meio de uma recolocação ou contratação internacional.

“Será uma grande oportunidade tanto para as empresas buscarem talentos fora de seus países, como também para os próprios talentos. Uma vez identificados por competidores internacionais, uma parte da força de trabalho no Brasil será mais valorizada”, diz Mariane Guerra, VP de RH da ADP na América Latina. 

Fortalecimento da cultura organizacional

Empresas têm estratégias de marca e uma promessa de valor para seus produtos e serviços a fim de atrair novos clientes e aumentar os negócios existentes. No entanto, poucas percebem a importância de desenvolver e proporcionar uma proposta de valor de emprego atraente (EVP) para recrutar e reter os melhores talentos.

Ainda que muitas organizações estejam cortando custos em benefícios para salvar os salários dos funcionários, é ainda mais crucial desenvolver e permear a cultura organizacional em tempos incertos, pois é o espírito de equipe que move a organização em direção às suas metas. 

O salário pode ser importante, mas pesquisas mostram que o que realmente motiva os funcionários é um alto nível de autonomia, habilidades e propósito. Sem dúvida, acordos de trabalho flexíveis continuarão a ser fundamentais, assim como a oportunidade de continuar aprendendo e crescendo enquanto trabalha-se para construir algo maior que nós mesmos.

Portanto, fomentar um ambiente de educação e treinamento pode ser uma simples mas eficaz estratégia para não só nutrir talentos, mas principalmente engajá-los mesmo a distância e ainda capacitá-los em um conhecimento útil para a organização.

Direcionar os investimentos da empresa para o que realmente importa é uma estratégia que influencia diretamente o ROI da empresa.

Investir em treinamento em idiomas mesmo em tempos de crise pode abrir portas para o mercado e a uma cooperação internacional, como já discutimos que será uma tendência para o mercado pós-pandemia.

Estabelecimento de parcerias, garantindo benefícios para colaboradores e alianças corporativas 

Temos cases de sucesso inspiradores de parcerias colaborativas entre organizações e  indústrias complementares, como foi o caso da empresa farmacêutica Novo Nordisk e a fabricante de bebidas Carlsberg, que trabalharam juntas para converter etanol em desinfetante para as mãos. Assim como o grupo 3M, que fez parceria com a montadora Ford para desenvolver máscaras faciais em escala.

Embora saibamos da importância de investir em benefícios essenciais para os colaboradores a fim de manter sua satisfação e produtividade, a pandemia afetou gravemente o plano financeiro de muitas organizações. 

Por isso, programas entre empresas que facilitam descontos e acessos exclusivos a produtos e serviços podem ser uma solução inteligente e lucrativa para ambas; e, principalmente, uma forma da empresa mostrar a seus funcionários que se preocupa com eles, mesmo estando com o budget apertado.

Parceiros estratégicos do IFESP, por exemplo, garantem descontos exclusivos de até 70% para o aprendizado online de um idioma estratégico como o francês, ou como a língua universal dos negócios, o inglês.

Além das línguas estrangeiras serem uma competência chave nos negócios em um mundo cada vez mais globalizado, a expansão cultural conquistada através do aprendizado de idiomas, além do surpreendente benefício do aprendizado de soft skills; é um grande diferencial a ser oferecido para o colaborador. Essa ação mostra uma atenção especial aos maiores sonhos das pessoas: viajar para o exterior, continuar seus estudos em uma universidade estrangeira, mudar-se de país, etc.

Embora grande parte do mercado esteja vivenciando um momento de contenção de gastos e incertezas quanto às previsões de crescimento financeiro, o fluxo retornará eventualmente, e sairá na frente quem estiver melhor equipado para se adiantar às tendências que estão por vir.

Dar o saldo “de bom para ótimo”, como diz o renomado autor e gestor Jim Collins, começa com ter as pessoas certas e capacitadas no time. 

O RH estratégico que sabe a importância da nutrição de talentos mesmo em tempos de crise, perceberá que os benefícios mais estratégicos e sensatos a serem investidos no momento serão os que proporcionam treinamento, assim como valorização do colaborador

Através do desenvolvimento profissional aliado a uma forte cultura organizacional de reconhecimento, os colaboradores darão saltos cada vez maiores que levarão a empresa adiante. E esse budget até mesmo o CFO irá concordar.  

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