Lingotalks com Vincent Parachini: fluência em línguas estrangeiras proporciona oportunidades profissionais e experiência em intercâmbios culturais

27 de janeiro de 2021
Por  Giovana

Fluência em quatro línguas estrangeiras diferentes e passagem por diversos países: em meio a tantas qualificações, a experiência vasta com diferentes idiomas é uma das especificidades que mais se destaca no perfil profissional de Vincent Parachini. Nascido na França, teve sua juventude marcada por uma sociedade rígida e conservadora. 

A oportunidade de mudar de vida surgiu cedo. Aos 14 anos, Parachini mudou-se para o México e desde então não parou de estudar e se dedicar ao aprendizado de novas línguas. Formado em Relações Internacionais, seu objetivo era consolidar uma carreira em âmbito internacional. O profissional encontrou realização no Marketing e ocupou, durante 15 anos, cargos nas áreas de gestão comercial na BIC em 4 países diferentes: Chile, França, Argentina e Brasil.

Atualmente, Parachini é formado como Coach Ontológico e atua como Managing Partner na Halifax Consulting Latam. Em um bate-papo para o portal do Lingopass by IFESP, o internacionalista discorreu sobre as vantagens de ter fluência em diversos idiomas e os impactos do intercâmbio cultural ao longo da carreira:  

Como a fluência em línguas estrangeiras contribuiu para o seu sucesso e para que você esteja onde está hoje?

Desde muito jovem eu tenho consciência de que a comunicação é sobre o que você emite e o que o outro recebe. Então para mim era impossível focar só em uma língua porque, inclusive no âmbito internacional, o francês deixou de ser a língua preponderante. O século virou e agora essa língua é o inglês, que se impôs para mim como uma necessidade. Ele era pré requisito e sinceramente falar bem inglês há vinte e cinco anos atrás, quando eu comecei a trabalhar muito raro, inclusive na França. Ser entendido era uma necessidade fundamental.

Nos serviços de consultoria e desenvolvimento humano, formação e soft skills em vendas, eu atendi um cliente em que a responsável administrativa era francesa, a responsável para a tomada de decisões de projeto era espanhola e o cliente interno era português. Quando vi que não estava “rolando” com um, passava pro idioma do outro. Quando você é capaz de conversar na língua preferida do outro é uma tremenda vantagem. 

Uma das frustrações que eu tenho é que todas as línguas têm os mundos emocionais que as sustentam melhor. Elas têm concisão e precisão de linguagem em certos âmbitos. Por exemplo, não existe nenhum outro idioma no mundo que eu conheça que tenha a tradução de saudade. 

Em que nível que a habilidade de falar mais de um idioma destaca um candidato em um processo seletivo? 

É simples. Depende da abundância do executivo na fluidez do idioma. A América Latina é uma região sinistra em termos de idioma, por isso até que você tem um campo bastante amplo em termos de negócio. Mas eu já paguei 30% mais caro para ter um executivo com as competências iguais a de outro, mas que falava outro idioma. No Chile, chegam a pagar 30% mais só pelas competências iguais.

A partir da sua experiência internacional e estando hoje no Brasil, de que maneira você encara o mercado de trabalho brasileiro em termos de capacitação de idiomas? 

Tem um relatório que saiu há quatro anos, do Fórum Econômico Mundial, que mostrava que a América Latina é o pior continente em termos de  competência humana, técnica, matemática, numérica, análoga, funcionais e top skills. Isso está relacionado diretamente à história do nosso continente. Aqui tivemos um boom sucessivo de exportação de commodity porque a terra é extremamente fértil. Nossas economias ainda tem esse músculo de não produzir produtividade.

A competência de idioma segue um padrão. As pessoas nunca precisaram aprender uma nova língua porque o mercado doméstico é muito grande. O Brasil nisso tem mais uma dificuldade: ele quer ser Estados Unidos. Somos um mercado auto suficiente, que está enorme. Não precisamos olhar para fora.

Pessoas daqui que têm a capacidade de falar espanhol ou inglês terão um destaque profissional tremendo. O mercado internacional entende que o Brasil é uma potência e quer ter uma operação muito forte aqui e irá buscar pessoas para liderarem negócios de toda América Latina.

Por que devemos falar mais sobre capacitação interna, em que as empresas adotem iniciativas como o Lingopass?

O Chile é um país pequeno e ele tem um dos PIBs mais elevados da América Latina. Você vai para Santiago e vê que dentro da cidade, é como se estivesse na Suíça. Mas o Chile é dois países, que convivem sem nunca se tocar: o Chile-Suíça e o Chile-Angola. Existe lá um problema gravíssimo de talento, porque como tudo é privado, seja escola ou saúde, tudo deve ser financiado. Ou seja, você não consegue ter mais gente capacitada. 

Então acaba tendo uma corrida de elevação de escala de salário para reter um funcionário minimamente competente. Dentro da América Latina, o Chile é o país que tem mais proporção de executivos estrangeiros no comando de empresas, inclusive nacionais.

Eu mencionei que sou capaz de pagar até 30% mais caro em competências iguais para alguém que fala um idioma. Se a pessoa não aprende por si só, eu tenho que puxar recursos meus porque, no mercado, essa pessoa será muito disputada e às vezes, vai escapar da realidade do meu orçamento contratar alguém novo. Por isso, é muito melhor investir em capacitação, porque não vou ter dinheiro para captar outro talento. A relação custo benefício que ela [a capacitação] promove é enorme. 

Vincent Parachini é um dos convidados do Lingopass by IFESP que acredita, assim como nós, que o aprendizado de idiomas é um dos principais caminhos para alcançar objetivos profissionais. O executivo esteve presente no primeiro Liongotalks do ano, um bate-papo exclusivo com diversos convidados brasileiros e internacionais.

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