Covid-19 e a Curva-V: Lições que Podemos Tirar de Uma Crise Econômica

16 de abril de 2020
Por  IFESP

Certo professor, em uma aula de filosofia, explicava aos seus alunos o significado da palavra “crise”. Ele dedicou boa parte do seu tempo em classe para mostrar como  “crise”, do grego “krísis”, tinha a mesma raiz da palavra “critério”, do grego “kritḗriom”, e que essas duas palavrinhas, juntas, tinham mais coisas a ver entre si do que poderíamos imaginar. 

Ele dizia aos seus aprendizes que, diante de uma crise, era normal que todas as nossas certezas e verdades desmoronassem, pois perdíamos nossos parâmetros. Os critérios com os quais estávamos acostumados a jogar o jogo das nossas vidas, de repente, já não faziam mais sentido, e pareciam não mais valer em nosso cotidiano. E sem critérios era normal, então, que as pessoas se sentissem inseguras, perdidas, com medo. E o medo, sabemos, paralisa.

No entanto, esse mesmo professor insistia sobre a necessidade de seus alunos perceberem que uma crise, apesar de muito dura e difícil, era também um momento de oportunidades, de criarmos juntos o novo, já que uma coisa era certa: nada mais seria como era antigamente. Diante de novos tempos, novos comportamentos e atitudes serão sempre exigidos.

Se trago essa pequena parábola professoral, o faço porque, hoje, certamente compartilhamos destes mesmos sentimentos que foram mencionados pelo professor frente à crise do novo coronavírus, que assola o mundo e nos deixa, a todos, um tanto quanto desnorteados; incertezas e medos povoam nossas vidas, e não por menos, afinal, não há nenhuma receita pronta que nos ensine passo a passo como vamos superar essa situação. Embora seja certo que, uma hora ou outra, iremos superá-la.

Isso não significa, contudo, que devamos ficar na inércia, paralisados, apenas esperando o tempo passar, para que as coisas se resolvam sozinhas e só então tomemos alguma medida frente ao momento presente, porque o mundo, apesar dos pesares, não vai parar. Pelo contrário, ele vai se desenvolver cada vez mais rápido. E você precisará ser flexível e dinâmico o bastante para aprender junto às suas mudanças

Mas como dissemos antes, não há receita nem plano perfeito, porque mesmo planos perfeitos, em tempos de mudanças aceleradas, rapidamente tornam-se obsoletos. Importa mais, neste contexto, se adaptar aos novos movimentos, e manter-se no caminho mais rápido rumo ao progresso.

E mesmo que não haja fórmulas prontas, em todo caso podemos desde já olhar para quem primeiro sofreu com a pandemia, para vermos como aqueles que já vivenciaram tudo aquilo que estamos enfrentando agora (e ainda vamos enfrentar) estão lidando com um cenário que talvez seja aquele que também viremos a conhecer em breve. 

Voltemo-nos à China, onde foi registrado o paciente zero para a Covid-19, país que, após medidas rigorosas de isolamento social, viu seus índices econômicos despencarem, mas que, passados alguns meses, agora observa um crescimento econômico igualmente rápido, apresentando aquilo que os especialistas chamam de Curva V. Neste artigo, iremos explorar melhor esse conceito, e tentar entender, a partir do mercado chinês, guardadas as devidas proporções, lições que sejam aplicáveis em sua empresa aqui, no Brasil.

O que é a Curva V e o que ela aponta?

 

A Curva V nada mais é do que um gráfico que corresponde a uma queda acentuada seguida de uma guinada abrupta e bastante íngreme, cuja curva visualmente lembra o formato da letra V. Ela tem sido usada para expressar as projeções acerca do movimento de recuperação econômica na China, a qual, após queda vertiginosa registrada em decorrência das medidas de isolamento social, apresenta agora sua capacidade produtiva retomada em 75%, segundo dados da FGV.


 

No entanto, é preciso lembrar que esse tipo de gráfico só é produzido graças a uma somatória de fatores. No caso da Covid-19, são eles: uma boa resposta pública à disseminação do vírus, que implica em rápido e efetivo controle sobre sua propagação, o qual, quando bem aplicado, em dois ou três meses, resulta em contenção da epidemia, algo que foi muito bem feito na China, dado que as medidas de isolamento social começaram por lá em 23 de janeiro de 2020, e desde fins de março já vínhamos acompanhando no país alguma flexibilização da quarentena, para finalmente em abril vermos ser declarado em Wuhan, berço da epidemia, o fim do isolamento social.

Mas não só isso, importa também a efetividade das respostas políticas no campo da economia, de modo a precaver danos estruturais que impeçam o retorno ao momento econômico que se vivia antes da crise se instaurar, e nesse sentido, o governo chinês dava sinais de que iria manter medidas de estímulos que compensassem o fechamento das fábricas e lojas por várias semanas.

Dito isso, nota-se que a Curva V não é fruto de uma guinada natural e espontânea da economia, mas dependente de respostas rápidas ao momento de crise sanitária e econômica da parte da administração pública. Por isso, apesar de animadoras, tais projeções na China não significam que teremos exatamente o mesmo tipo de resposta em terras brasileiras, o  que nos obriga a ter de pensar em diversos cenários possíveis.

Cenários possíveis

 

Pensar diferentes cenários nos obriga a criar opções. E ter opções nesse momento é muito importante, dada a alta instabilidade do mercado. Portanto, agora é o momento de considerar todas as possibilidades e cenários possíveis, para que você esteja apto a criar novas soluções, estando pronto para o que der e vier, mesmo se aquilo o que vier não for exatamente o melhor dos cenários imaginados.

Sabemos que a Curva V, por exemplo, corresponde às melhores respostas referentes à disseminação do vírus e às políticas econômicas, isto é, ela depende de uma forte contenção da propagação do vírus e de estímulos da parte do governo à economia para acontecer.

No entanto, precisamos pensar o que fazer caso o controle da pandemia seja feito de maneira pouco ou nada satisfatória. Ou ainda se a resposta econômica não envolver nenhum tipo de auxílio governamental para a manutenção da renda (sobretudo daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade econômica), ações bancárias e renegociações de contratos, culminando em diversas empresas demitindo seus funcionários, vendo queda em seus faturamentos ou mesmo decretando falência.

Assim, sabemos que a interação dessas variáveis, a depender de quais respostas nos forem dadas, se fortes ou fracas para a contenção da pandemia e dos danos ao mercado, resultará em ritmos muito distintos de retomada das atividades econômicas. Mas fato é que, em mais ou menos tempo, os indicadores voltarão a crescer, ainda que não o façam de maneira rápida e vertiginosa como na China.

Dito isso, o que você precisa fazer desde já é se preparar para o momento de virada. Mas como fazer isso? Você verá como!

O futuro depois da pandemia do coronavirus

 

Como se preparar para o Turning Point?

 

A McKinsey & Co, em artigo, trouxe uma série de dicas para você se preparar e preparar a sua empresa para este momento de virada do cenário econômico. Para aqueles que não leem em inglês, nós fizemos, então, uma breve compilação do que de mais interessante rolou por lá, para que você também consiga estar pronto para a guinada do pós-crise do coronavírus. Então, vamos às dicas?

Em primeiro lugar, o óbvio necessário: é preciso planejar-se, só assim você conseguirá direcionar seu time de modo que eles possam trabalhar frente a múltiplos cenários. Se possível, sua equipe deve realizar um trabalho modular, focado em desenvolver estratégias para questões pontuais que se estendam pelo tempo através dos diferentes horizontes. 

Uma maneira de colocar isso em prática é planejando as semanas de trabalho do seu negócio. Para isso, é preciso saber de onde se está partindo de forma muito consciente e realista, e desenvolver os diversos cenários possíveis de futuro, tal como apresentamos anteriormente. Assim, você conseguirá estabelecer sua postura e direção de trabalho, e determinar ações robustas que funcionem através dos diversos cenários vislumbrados.

É igualmente importante estabelecer pontos-chave que te levem a se organizar no tempo certo para implementar as ações planejadas. Definir quando esses pontos devem ser alcançados e que tipo de execução deve ser realizada a partir deles é tarefa do gestor ou líder empresarial.Fora isso, para falarmos de iniciativas brasileiras, o próprio Sebrae  (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) disponibiliza uma série de conteúdos sobre adaptação de negócios para este momento de enfrentamento ao coronavírus. Dentre as dicas por eles propostas, temos desde a sugestão da realização de parcerias com fornecedores, à promoção de pagamentos por links para manter o faturamento em tempos de crise, e atendimento online. Práticas relativamente simples, que já existiam antes, mas cuja difusão agora está completamente alinhada com a nova experiência de mundo que estamos experienciando.

O mundo pós-pandemia do Covid-19

 

O mundo pós-pandemia

 

A essa altura, eu poderia citar Renato Russo para dizer que, pós-coronavírus, “o futuro não é mais como era antigamente”, e você estaria em pleno acordo comigo, afinal, desde o começo deste artigo estamos discutindo justamente como um momento de crise nos obriga à mudança, porque nossos critérios antigos (lembram da história do professor que queria explicar a relação entre crise e critério, não é?) simplesmente perdem a validade frente a um mundo que já é novo, pois fora transformado radicalmente em seus parâmetros. Com isso, nos resta apenas acompanhar as mudanças, sejam elas comportamentais ou nos modelos de negócios. 

Nesse período de isolamento, foi possível observar a força dos serviços online, seja no âmbito das compras, do ensino a distância e mesmo das atividades físicas (quem não se rendeu às lives com professores de yoga e personal trainers?). Além disso, tivemos a chance de experimentar novas possibilidades de exercermos nossas atividades profissionais com a popularização e rápida adaptação ao home office.

Tudo isso potencialmente mudará nossas rotinas mesmo quando as nossas vidas já tiverem voltado à normalidade. Isso porque muitos profissionais que perdiam horas no transporte público, por exemplo, notaram que rendiam melhor de casa, pois se sentiam menos cansados e mais motivados a trabalhar. Aqueles que nunca antes tinham tido chance de acompanhar um curso online talvez tenha, seguido uma sequência de aulas à distância e adorado aprender nesse formato. 

Esse tipo de constatação deverá ser levada adiante pelos líderes e gestores profissionais no sentido de continuar propondo daqui pra frente soluções que contemplem essa nova maneira de encarar a vida. Será que não continuará valendo a pena uma negociação da jornada de trabalho do seu funcionário para que ele trabalhe alguns dias da semana remotamente e outras no escritório? Não será interessante investir para que sua empresa continue atendendo as pessoas virtualmente? Uma coisa é certa: sairá na frente quem souber se alinhar com estes novos tempos.

Fontes: FGV, McKinsey, Sebrae.

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