Campanha Adotando Escolas: do Brasil para o Mundo

30 de julho de 2020
Por  Alice Oliveira

Formando formadores na língua francesa, o IFESP através de seu programa de responsabilidade social, Adotando Escolas, facilitou o acesso à língua francesa por meio da concessão de bolsas de sua escola Curso de Francês Online para professores da rede pública brasileira. 

Entrevistamos alguns participantes do programa para entender como o aprendizado do francês irá abrir portas para eles no meio profissional e na vida pessoal. 

As respostas foram inspiradoras: desde compartilhar a cultura francesa na sala de aula com os alunos, a projetos de mestrado e doutorado no exterior, até a integração de migrantes no Brasil.

 

Aprender idiomas é manter as janelas abertas para o mundo, sempre”

 

Esse é o depoimento da professora de Espanhol e Português no IFMA, Antônia da Silva. Ela acredita que a capacidade de ler livros e artigos em francês certamente lhe ajudará em seu mestrado e doutorado, já que há muitas referências na literatura com base na língua francesa. 

Já Sheila Maciel do Emef Jardim Silva Teles, diz que o programa do IFESP lhe abriu muitas ideias. “Acredito que a língua seja muito importante para o meu crescimento pessoal, em especial; mas também me ajudará em várias áreas da vida, como a profissional, pois pretendo fazer doutorado na área de linguísticas e até trabalhar na educação com algo relacionado ao francês.” conta. 

Carlos Eduardo é professor de Sociologia do Instituto Federal do Maranhão e diz que adora trabalhar com filmes em sala de aula para discussão de questões sociais. 

Ele pensa em associar a prática com o francês, utilizando filmes franceses legendados para os alunos do ensino médio a fim de trabalhar a problemática e ainda compartilhar a cultura.  “Assim eles poderão ter algum contato com a língua o que acredito pode despertar o interesse em aprendê-la”, conta.

Profissionalmente, pretende fazer um doutorado no Brasil ou até mesmo na França. “Muitos programas de pós-graduação incluem 2 línguas estrangeiras, e grande parte das leituras no doutorado na área de humanidade são de autores franceses que são referência da Sociologia no Brasil; como Émile Durkheim e Pierre Bourdieu, por exemplo.” 

Sobre a importância que o francês terá na sua vida, ele conta: “Além de ser um idioma lindíssimo, o francês será fundamental para que eu possa alcançar meus objetivos profissionais e projetos pessoais.”

 

Igualmente na área de linguagens, o francês é essencial para quem almeja um mestrado. 

 

Sara Matos da escola Emef Jardim Silva Teles, explica: “Pretendo fazer mestrado stricto sensu, e acredito que o francês como segunda língua seria ideal, visto que muitas das leituras são autoria de escritores franceses.”

Em relação à importância do aprendizado de uma nova língua como o francês, ela acredita que seja importante para “se inteirar dos assuntos do mundo, viajar, promover projetos sociais, escolares e pessoais. Sem falar que é uma língua apaixonante! Ou a língua dos apaixonados!” diz. 

Gustavo Oliveira, da escola EMEF Sócrates Brasileiro, também afirma: “os principais conteúdos das ciências humanas são produzidos primeiro em francês e inglês, e eu gostaria de ter acesso a isso.”

E ainda complementa em relação à relevância de estudar línguas: “aprender um novo idioma é abrir novas portas, ter acesso a diferentes tipos de leitura, de músicas. Poder viajar para onde quiser sem medo.”

 

Ganha destaque quem investir na língua francesa nas áreas de TI e ciências

 

Embora a relevância da língua francesa nas linguagens, humanidades e sociedade seja indispensável; as áreas de tecnologia e inovação também estão em evidência. Sebastião Rodrigues é da área de desenvolvimento de software e pesquisa sobre aprendizado de linguagens de programação no IFMA. 

“Tenho interesse em fazer um doutorado no Canadá e o curso de francês vai me ajudar bastante — tanto no processo de seleção, quanto no dia a dia no país, que tem o inglês e o francês como línguas oficiais” 

Até mesmo para a área de TI, que o inglês é indispensável, o francês também pode ser uma oportunidade que abre portas e destaca o CV em meio à concorrência, seja para uma vaga de trabalho, processos de migração ou mesmo em uma Universidade.

Edmilson Arruda, que é da área de química no IFMA, complementa afirmando que neste setor, muitos livros e métodos são em francês e de autores franceses. 

“Como faço pesquisa, pretendo trabalhar com os alunos incentivando-os a estudar francês, publicar artigos em revistas francesas e a fazer pós-graduação. Também pretendo fazer doutorado na França e extensão de cursos FIC (Formação Inicial e Continuada)” diz. 

 

O francês como solução para a questão migratória nas escolas brasileiras

 

Em se falando de projetos que vão além do pessoal, mas que englobam também questões migratórias atuais; a escola Prof. Edson Nunes Malecka, referencial em Guarulhos, recebe migrantes de diversos países e procura sempre promover atividades e sistemáticas de integração desses alunos.

O diretor da escola, Manoel Rodrigues Português, conta: “O Projeto Político Pedagógico da Escola tem como uma de suas bases o pensamento francês. A escola já é bilíngue Português-Libras (Língua Brasileira de Sinais), e os docentes procuram realizar todas as suas ações nessas duas línguas. 

Ao longo dos últimos meses, a escola foi recebendo vários alunos estrangeiros – bolivianos, venezuelanos e haitianos. Havia uma grande dificuldade de comunicação e interação com o último, devido à sua comunicação ser exclusivamente em francês. 

Angélica Caja, vice diretora da escola Prof. Malecka, relata a experiência mencionada por Manoel, que será transformada no projeto ‘Somos todos migrantes’:

“Durante o desenvolvimento do roteiro e nas rodas de conversa da turma da criança haitiana, os colegas propuseram que o aluno do Haiti ensinasse francês à classe, e os alunos ensinassem português ao colega. Sem objeção, a proposta foi aceita e iniciou-se os primeiros passos com trocas simples de cumprimentos, saudações, brincadeiras, jogos, pesquisas na biblioteca e na internet sobre a cultura africana, haitiana e francesa.” 

 

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“Em Março, fomos convidados a estrear o projeto piloto Adotando Escolas do IFESP, e pudemos vislumbrar uma oportunidade de aprendizado e de uma rede de apoio para integração dessas famílias, e ainda aprender uma nova língua para contribuir com o ensino em suas práticas pedagógicas.” ela adiciona.

A fim de integrar os alunos migrantes, em especial na língua francesa, eles pretendem tornar algumas aulas bilíngues em português e francês; ensinando ambas as línguas para todas as crianças da turma junto com a professora Andreia Neri, matriculada no curso do IFESP .

Hoje, a escola trabalha para realizar o máximo de atividades possíveis nas quatro línguas: português, libras, espanhol e francês. Eles já têm em andamento atividades de contação de histórias em vídeos realizados nos 4 idiomas.

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